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Publicado em 19/11/2017

As novidades que marcam a nova revolução agrícola coroaram a programação do 11° CBA



Toda agricultura é uma revolução. E, como tal, muda a história. No  terceiro dia do 11° Congresso Brasileiro do Algodão (31/08), as inovações tecnológicas foram o centro de grande parte dos debates: desde as chamadas "tecnologias disruptivas", cujo advento foi acelerado com a internet; até as transmissões via satélite e as descobertas nos campos genético e nanotecnológico, passando pela inteligência artificial. Mesmo práticas centenárias, como a rotação de cultura, que revolucionaram a agricultura e até hoje estão na base da sustentabilidade nas lavouras foram revisitadas na programação. O 11°CBA é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), e, nesta edição, reúne em torno de 1,2 mil pessoas na capital alagoana até a sexta-feira, 1° de setembro.


Para falar de agricultura digital, o Congresso colocou em plenária três das empresas mais emblemáticas quando o assunto é inovação. A John Deere, no evento representada pelo diretor de Inovação Tecnológica para a América Latina, Alex Foessel, a Monsanto/Climate Corporation, com a presença do líder da Climate para a América do Sul, Mateus Barros, e a brasileira Embrapa, com o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, Lúcio André de Castro Jorge. O painel foi mediado pela jornalista Maria Prata, apresentadora do programa Mundo S/A, da Globo News, que destacou a "nova revolução verde, que tem entre as palavras-chave colaboraçãoconectividade e criatividade.


Um novo ambiente colaborativo entre as empresas desenvolvedoras de tecnologias em produtos e serviços tem permitido, segundo os participantes, entregar soluções cada vez mais precisas para os problemas da lavoura. Entre as novidades, tecnologias que se aprimoram, mas já vêm sendo largamente utilizadas na cultura do algodão, como máquinas que aplicam o insumo na quantidade certa para cada local – sem sobreposição do produto nas áreas já aplicadas –, variedades desenvolvidas em porte e tamanho ajustados aos equipamentos de colheita, integração entre máquinas entre si e destas com os escritório, com informações e gerenciamento em dispositivos portáteis, como pads e telefones celulares.  O desafio, segundo os participantes, é customizar.


"O agricultor dos Estados Unidos, por exemplo, quer levar todas as informações do escritório para a máquina, enquanto o do Brasil quer que os escritórios tenham total acompanhamento das máquinas em operação. São perfis diferentes e o nosso desafio é atender a todas as demandas. Tecnologias são ferramentas, mas o que importa mesmo é o produto", disse Foessel, que lembrou o impacto do georreferenciamento e do piloto automático nas inovações tecnológicas experimentadas atualmente no campo. ​ 


Só o começo


Monitoramento total das lavouras, com informações de clima, incidência de pragas, produtividade por talhão dentre outras, são serviços ofertados por empresas como a Climate Corporation, startup adquirida pela Monsanto, para embasar as decisões do agricultor. "Todos os dados em um mesmo lugar, na palma da mão e disponíveis quando o produtor precisar; melhoria da gestão nas fazendas e produtividade sendo desvendada diariamente. Tudo isso é só o começo", disse Mateus Barros. 


"Tudo o que a gente faz em pesquisa e desenvolvimento é para um Brasil que avança, e que só é possível porque existe um ambiente de colaboração entre as empresas", afirmou Lucio André, da Embrapa. Ele ressaltou que, se antes a falta de informação era um problema para o produtor rural, hoje o perigo é o excesso delas. "Diante disso, importa o processamento correto desses dados", alertou. 


A plenária contou com uma série de cases em vídeo, com startups do chamado "AgTech Valley", em Piracicaba, fomentadas, principalmente, graças à produção científica e ao trabalho institucional da EsalqTec. O debate percorreu diversos assuntos, como big data, influência dos drones na agricultura atual e até ética, segurança dos dados e a responsabilidade, que cabe ao setor agrícola, de suprir a demanda mundial por alimentos e fibras para atender a uma população estimada em nove bilhões de pessoas em 2050, segundo a FAO. 


Ao final, a mediadora Maria Prata revelou encantamento com o "admirável mundo novo" do agro. "Quando eu termino um programa Mundo S/A, e aprendo muito sobre um assunto, me dá vontade de fazer tudo de novo. Aqui foi a mesma coisa. Já quero saber mais e participar de outro debate assim. Esse é um Brasil que dá certo", disse.


Inovar para ter mais tempo


"Não use velhos mapas para descobrir novas terras". A recomendação é de  Gil Giardelli, estudioso de cultura digital, educador e web ativista que hipnotizou a plateia da plenária sobre inovação na manhã desta quinta-feira (31) no 11° Congresso Brasileiro do Algodão (11° CBA). Segundo ele, o futuro chegou e a era da inovação é sinônimo de reinventar até a si mesmo. 


Giardelli afirma que, no mundo dos negócios, o universo do lucro precisa ceder espaço ao 'universo do propósito'. "Por isso, as associações e grupos de produtores devem se movimentar para promover o choque de inovação e ter em mente que nenhum de nós, sozinho, é tão bom ou inteligente quanto todos nós juntos", enfatizou. "O Brasil já tem muitos críticos, então, está na hora dos mais inovadores", disse. 


De acordo com o palestrante, para inovar, o ser humano não pode estar preso às regras e convenções, porque não se pode mudar o mundo sendo obediente. "Parece um paradoxo, mas isso também é inovação. Primeiro, você ri dela; depois você desacredita ou tenta controlar, e, por fim, se arrepende de não ter feito parte", argumenta. Para Giardelli, o papel de associações como a Abrapa, representante dos cotonicultores, é criar plataformas de inovação, apontando tendências e criando novos conceitos para a produção e a indústria. "Hoje, já existem inovações voltadas para as roupas inteligentes, que unem atributos de saúde, tecnologia e vestuário. Onde entra a cadeia do algodão nisso? Reinventar-se é preciso", recomenda.


Ele citou palavras e expressões como desconexão, destruição criativa e desglobalização, que, a seu ver, não são conceitos antagônicos, mas inovadores. "As pessoas querem produto e diferenciação. Daí, a necessidade de investir e colocar em prática as novas ideias. Porque se você apenas pensa e não faz, outras pessoas farão. De 400 indivíduos tendo a mesma ideia no mundo, apenas uns três vão agir", pondera. 


Inovação, para Giardelli, é fazer de tudo para ter mais tempo e ficar com as pessoas amadas. "É trabalhar por um mundo melhor, entendendo que a cada emprego que se perde atualmente, outros três são criados com a cultura digital. Assim, a inovação surge como aliada para essa nova era", concluiu o palestrante, que encantou adultos e até crianças na plateia com um pequeno robô.


Retorno para o produtor 


Se nas plenárias da manhã o CBA abordou as tecnologias disruptivas, que aproximam o agro da ficção científica, e o pensar criativo na busca de soluções, a programação da tarde tratou das especificidades dos temas no plano da transgenia e das inovações eletrônicas e digitais que já estão em uso, com resultados positivos e mensuráveis para a rentabilidade do produtor.


Segundo o coordenador científico do 11° Congresso Brasileiro do Algodão, Eleusio Curvelo Freire, o público dessa sala buscou soluções em curto prazo para aumentar a produtividade nas lavouras. Os temas foram coordenados pelo pesquisador do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), na França, e lotado na Embrapa Algodão, Marc Giband, apresentando inovações em biotecnologia para o algodoeiro. Além dele, participaram Ricardo Inamasu, da Embrapa Instrumentação, tratando de inovações em agricultura de precisão para a cotonicultura, e Milton Ide, da Ide Consultoria, que abordou as tecnologias para gestão e controle de processos. "O tema central do congresso – inovação e rentabilidade – coroou esse dia", sintetizou Eleusio Freire.



Fonte:  Abrapa




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